Costaleras do Amor
 
       

Os primeiros costaleros eram profissionais, homens de faina que carregavam os produtos nos mercados grossistas. Utilizavam o costal, na época um saco de serapilheira posto na cabeça para amortecer o peso que carregavam às costas. A troco de um soldo saíam às ruas nas exuberantes procissões da Semana Santa andaluza,  debaixo dos passos, andores,com as imagens das paróquias. A Virgem da Encarnação não escapava à regra.

Chegou ao Cerro, um bairro de operários de classe baixa, em 1981 e passou a sair com o Cristo do Amor, que dá nome à confraria, no Domingo de Ramos. De perto seguiam-na entre os nazarenos (penitentes com um capuz em cone, à Klu Klux Klan), um grupo de mulheres. Rafaela Vasquez, 48 anos, ex-empresária, era uma delas e o pai Hermano Maior, ou director da confraria. Por vontade da filha, deixou-a formar um grupo de costaleras, que seria pioneiro em Espanha. O objectivo era substituir os profissionais.

Os ensaios começaram em 1983, tinha Rafaela 21 anos, e sucederam-se durante três anos, até percorrerem uma chicotá, troço do percurso, durante a procissão em 1985. A partir desse daí o passo da Encarnação, nunca mais foi levantado por homens.

 

 
 
contactos